segunda-feira, 6 de junho de 2011

Srta. Saudade da Silva.

Entendo que você esteja feliz
Você tem a você, e eu não tenho
Então declaro como sempre quis
Ter e ser assim bem desse jeito
Claro que é isso o que tento te dizer
Quero o mundo inteiro no meu peito
Mas nesse momento como traduzir...
Se não pela saudade que eu sinto

Acho que não vou morrer de amor
E a saudade não mata porém
Fecho os olhos vejo teu rosto
E aqui dentro algo forte me vem.

Nenung.

Sei que amores imperfeitos são as flores da estação

Não precisa me lembrar
Não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu
Mas sempre fica alguma coisa
Alguma roupa pra buscar

Eu não quero ver você
Passar a noite em claro
Sinto muito se não fui seu mais raro amor
E quando o dia terminar
E quando o sol se inclinar
Eu posso por uma toalha
E te servir o jantar

Mentira se eu disser
Que não penso mais em você
E quantas páginas o amor já mereceu
Os filósofos não dizem nada
Que eu não possa dizer
Quantos versos sobre nós eu já guardei
Deixa a luz daquela sala acesa
E me peça pra voltar...

Samuel Rosa, Chico Amaral

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Só sendo!

Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração

A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez

Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter

Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum

Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem.

Humberto Gessinger.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tangos e Tragédias por Hique Gomez

Lembro claramente a primeira vez que nos encontramos as margens da Recykla Gran Rechebuchyn, a Grande Lixeira Cultural da Sbórnia. Nossa querida terra natal a Sbórnia havia sido invadida. Nossa cultura estava ameaçada extinção. Nós fugimos e viemos parar no Brasil...

Já se vão muitos anos... Lembro muito bem na canoa de refugiados. Ele queria ir pra Iá eu queria ir para Iá... Eu fui para lá e ele foi para lá... Como estávamos na mesma canoa contrariadamente viemos parar aqui. Foi a primeira vez que percebemos que não combinávamos, e pensei “como vamos prosseguir???”
Minha memória guarda transparente os dias da crise em que chegamos no Brasil. O dinheiro era o Cruzado... A valorização os produtos nos supermercados era por hora, a desvalorização do Cruzado era por segundo.

Lembro que hoje de manhã senti saudades daquela crise financeira. Aquilo sim é que era crise. Os problemas aumentavam desde que ficou claro que não haveria como trabalhar com música no meio daquela crise, e eu pensava "Como vamos prosseguir? Fizemos alguns shows vazios em Porto Alegre e decidimos ir para o centro do país, onde fizemos muitos e muitos shows vazios. É claro, eu pensava, não combinamos... Como vamos prosseguir?

Até que um golpe de sorte nos jogou no programa do Jô Soares no SBT. O público adorou ver dois sujeitos que não combinavam contando suas histórias e cantando músicas antigas que não combinavam com o que se fazia na época.

Desde aí os teatros começaram a lotar. Daí surge para nós a maior definição de nossa carreira. Quando perguntavam qual o segredo do sucesso, nossa resposta era: "O segredo do Sucesso é o Fracasso!!!” Como vamos prosseguir se o segredo do sucesso da dupla é o fracasso?

Enfim fazíamos algum sucesso, mas como seguíamos não combinando eu pensava: “Como vamos prosseguir”? Os teatros começaram a lotar invariavelmente. Já tínhamos uma carreira, uma trajetória. Seria importante mantê-la, e esta questão foi crescendo dentro de mim. Eu buscava uma solução, não seria fácil... como vamos prosseguir? Nossas diferenças seguiam aumentando, continuávamos remando em direções diferentes.

Até que em meados do dia 15 de maio de 1991 às 15 horas e trinta minutos, ele me mostrou uma música que falava na busca da Verdadeira Maionese. Isso me trouxe uma esperança muito grande de que talvez nos conseguíssemos convergir...



Mas não, cada um foi procurar a Verdadeira Maionese da sua própria maneira. E a questão recrudesceu. Como iríamos prosseguir se nossas verdadeiras maioneses tinham ingredientes tão diferentes?
Bem, aí mesmo que a coisa ficou impossível. Como iríamos prosseguir se tudo conspirava contra? Bom... Fizemos uma versão do espetáculo para espanhol, fomos a outros países sem nenhuma perspectiva de continuar. Um certo sucesso está começando a estabelecer raízes na Europa, e a pergunta que do quer calar fala todos os dias na minha cabeça: Como vamos prosseguir?

No ano em que completamos 25 anos, seguimos sem nenhuma perspectiva de continuar, mas fizemos uma arte incrível para celebrar a data
. Como vamos prosseguir se chegamos a um ápice de excelência tão absoluto.

Ficamos amigos... Cultivamos respeito mútuo. Enfim, começamos a remar na mesma direção... Mas minhas manhãs são premiadas com a questão: Como vamos prosseguir se as divergências que nos trouxeram até aqui não estão mais presentes? Agora ficou realmente difícil. Como... Como vamos prosseguir?"

sábado, 12 de março de 2011

Foda-se!

Tranquila e calmamente eu penso... Foda-se!

É um mantra!
E eu tenho recitado diariamente...

Eu faço o bem e o que meu coração manda, o tempo todo.
E tudo o mais que se foda!
Todos os resultados, os erros e os acertos, até...
Os outros e suas opiniões...
Os envolvidos e suas opiniões...

Nada importa!

Repito! Eu faço o bem, ajo com bondade, sinceridade, e respeito.
Mas, que se foda...

As coisas precisam ter muita importância pra mim pra que eu me importe.
E olhe lá...

Muito pouco me tira do sério, do meu rumo, do meu foco.

Estou cuidando de mim.
Sobra pouca paciência pra mediocridade...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Fé!

Depois de tanto tempo, depois de tanto medo...
Depois de tanto nada
Sem acreditar, sem confiar
Nasce um rastro de fé em mim.

Eu quis muito. Mas me respeitei enquanto não pude sentir e acreditar.
Eu não procurei.
Mas aos poucos alguma coisa acontece aqui.

Literalmente, só Deus sabe o quanto isso é importante pra mim.
O quanto esse feiche, ainda em fase embrionária, faz diferença no meu coração,
tanto tempo desacreditado.
O quanto esta sensação é grandiosa!

Não sei.
Uma esperança de que talvez não seja só isso.
Uma vontade.
E começo a acreditar que pra tudo existem razões.
E que se ainda não as conheço, há tempo pra descobrir.
Também é por algum motivo.

A vida se ajeita.
Leva e traz pessoas, oportunidades, lições...
E tudo tem sua razão pra acontecer ou desacontecer.

Isso tem tanto a ver com minha teimosia.
Com a mania que tenho de ditar o certo.
Tudo tem um preço.
E todos têm ou terão tudo aquilo que merecem.
Não cabe a mim julgar e resolver.
É claro... Tudo se ajeita, no seu tempo certo!

Preciso acreditar mais.
Lembrar me ajuda a entender.
Quando rezou por mim, por nós,
certamente algo aconteceu.

Há magia.
Há uma luz.
E há muita coisa entre o céu e a terra...
Que envolvem nossos corações
e destinos!

Como num estalo, fica tão claro entender que nada aconteceu até aqui por acaso.
E nada nessa vida acontece ou acontecerá por acaso.
Agora, de novo, eu confio.
Eu confio!

Se eu apagar a luz, e fechar os olhinhos vou conseguir dormir?
Santo anjo...

terça-feira, 8 de março de 2011

Hay tantas cosas...

Que viva la ciencia,
Que viva la poesia!
Que viva siento mi lengua
Cuando tu lengua está sobre la lengua mía!
El agua esta en el barro,
El barro en el ladrillo,
El ladrillo está en la pared
Y en la pared tu fotografia.

Es cierto que no hay arte sin emoción,
Y que no hay precisión sin artesania.
Como tampoco hay guitarras sin tecnología.
Tecnología del nylon para las primas,
Tecnología del metal para el clavijero.
La prensa, la gubia y el barniz:
Las herramientas de un carpintero.

El cantautor y su computadora,
El pastor y su afeitadora,
El despertador que ya está anunciando la aurora,
Y en el telescopio se demora la última estrella.
La maquina la hace el hombre...
Y es lo que el hombre hace con ella.

El arado, la rueda, el molino,
La mesa en que apoyo el vaso de vino,
Las curvas de la montaña rusa,
La semicorchea y hasta la semifusa,
El té, los ordenadores y los espejos,
Los lentes para ver de cerca y de lejos,
La cucha del perro, la mantequilla,
La yerba, el mate y la bombilla.

Estás conmigo,
Estamos cantando a la sombra de nuestra parra.
Una canción que dice que uno sólo conserva lo que no amarra.
Y sin tenerte, te tengo a vos y tengo a mi guitarra.

Hay tantas cosas
Yo sólo preciso dos:
Mi guitarra y vos
Mi guitarra y vos.

Hay cines,
Hay trenes,
Hay cacerolas,
Hay fórmulas hasta para describir la espiral de una caracola,
Hay más: hay tráfico,
Créditos,
Cláusulas,
Salas vip,
Hay cápsulas hipnóticas y tomografias computarizadas,
Hay condiciones para la constitución de una sociedad limitada,
Hay biberones y hay obúses,
Hay tabúes,
Hay besos,
Hay hambre y hay sobrepeso,
Hay curas de sueño y tisanas,
Hay drogas de diseño y perros adictos a las drogas en las aduanas.

Hay manos capaces de fabricar herramientas
Con las que se hacen máquinas para hacer ordenadores
Que a su vez diseñan máquinas que hacen herramientas
Para que las use la mano.

Hay escritas infinitas palabras:
Zen, gol, bang, rap, Dios, fin...

Hay tantas cosas
Yo sólo preciso dos:
Mi guitarra y vos
Mi guitarra y vos.

Jorge Drexler.

domingo, 6 de março de 2011

Cinzas!

Tô cansada.
Irritada, esgotada.
Tô dengo, quero colo!
Não quero nada.

Os sonhos me trazem saudades,
e a razão me lembra que a vida é injusta!
Queria sentir o que somente entendo.

Chega!
Carnaval, leve tudo embora...
E vá também!
O ano precisa começar!

Me sinto presa!
Quero voar...
Mas essa bateria de escola de samba não deixa
a minha mente se acalmar...

Pança.

Era proibido entrar.
Uma cerca de madeira rodeava a casa.
Lá, as pessoas tinham gravado seus recados para o poeta.
Não tinham deixado nenhum pedacinho de madeira descoberta.
Todos falavam com ele como se estivesse vivo.
(Assim eu faço com vocês! Não sei quem me lê e quem não, mas eu falo e canto, eu grito, eu amo!)
Com lápis ou pontas de pregos, cada um tinha encontrado sua maneira de dizer: obrigado.

Eu também encontrei, sem palavras, a minha maneira.
E entrei sem entrar.
E em silêncio ficamos conversando vinhos, o poeta e eu, caladamente falando de mares e amares e de alguma poção infalível contra calvície. Compartilhamos camarões ao pil-pil e uma prodigiosa torta de jaibas e outras dessas maravilhas que alegram a alma e a pança, que são, como ele sabe muito bem, dois nomes para a mesma coisa.

Várias vezes erguemos taças de bom vinho, e um vento salgado golpeava nossas caras, e tudo foi uma cerimônia de maldição da ditadura, aquela lança negra cravada em seu torso, aquela puta dor enorme, e foi também uma cerimônia de celebração da vida, bela e efêmera como os altares de flores e os amores passageiros.

Trechos de Galeano em "Neruda 1" do Livro dos Abraços.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Menina da bundinha gorda.

Hoje vi na entrada do prédio uma menininha saindo rumo à escola de uniforme azul e branco e uma imensa mochila rosa, possivelmente maior que ela.
A minha minivizinha me alegrou por alguns bons instantes. Me fez lembrar de mim, quando tinha sua idade. Ela tem, como eu também tinha nessa fase, a bundinha gorda e as perninhas grossas e seu uniforme parece o que eu usava quando ia pro Santa.
Me deu saudade da escola, dos sonhos de criança, da casa antiga, de subir em árvores e pular sapata. Saudade de brincar de "monstro do travesseiro" e mercadinho com minha mãe e do Santana do meu pai, dos chicletes e livros que ele me dava toda semana. Saudade dele! Saudade forte do seu abraço, da sua risada, da sua voz, do seu colo, da sua comida, do seu apoio. De ter meu pai. Merda.
Enfim, essa menina tão parecida comigo até no jeito de andar me fez pensar na saudade de ser criança e também na vontade de ter crianças, de, quem sabe, ter uma menininha com bundinha gorda e perninhas grossas. Vontade de cuidar de alguém como um dia cuidaram de mim. De estar no outro papel de uma mesma história.

Sei que um dia, sentirei saudade da mesma forma do que sou hoje. Por isso eu amo, eu sonho, eu realizo... Eu vivo!!! Vivo pra que quando este dia chegar, possa sentir só saudade e nenhum arrependimento.

Saudade de ser também uma menina da bundinha gorda. Feliz por ser hoje uma jovem mulher com belas histórias pra contar, oportunidades pra aproveitar, sonhos pra realizar. Certa de que um dia serei a mulher que terá bundinhas gordas pra limpar, boquinhas pra dar de comer, uma família pra amar e honrar, um lar, um trabalho, uma paixão...